sábado, 2 de maio de 2009

19) Habanita (Molinard)

UM PERFUME EMBRIAGANTE

Fundada em 1849, em Grasse, a casa Molinard foi sempre uma empresa familiar até os nossos dias. Depois de ter fabricado água de flores e águas-de-colônia, que vendia na pequena loja no centro da cidade, começoou a desenvolver-se. Quatro bonitos perfumes uniflorais apareceram entao em elegantes frascos de Baccarat: Jasmim e Rose e, mais tarde, Mimosa e Violette. Em 1900, Gustave Eiffel concebeu o esqueleto da fábrica que foi construída na entrada da cidade, enquanto os ricos clientes russos e ingleses íam escolher os perfumes florais num soberbo salao de recepçao, mobiliado à moda antiga. O ano de 1921 marcou o início da expansao da casa, que nao deixaria de crescer, com a criaçao do famosíssimo Habanita, quente e abaunilhado, um perfume típico dos Anos Loucos, que alcançoou um êxito inigualável. Incitando os mais célebres mestres vidreiros a criarem frascos exclusivos para os perfumes da casa, Molinard esteve na origem das mais belas peças assinadas por Lalique. Fornecedor, no seu tempo, da rainha Vitória da Inglaterra, Molinard continua a vender na sua loja parisiense da Rue Royale águas-de-colônia "envelhecidas na cave" e os encantadores concretas, perfumes sólidos apresentados em pequenos cofres pretos pintados à mao. Todavia, os verdadeiros apaixonados por Habanita fazem a viagem até Grasse para irem a comprar sua fragrância envolvente no próprio local em que é concebida,a partir do patchuli de Penang e do sàndalo da Índia, da baunilha do Taiti e do âmbar-cinzento, do musgo do carvalho e do cisto do Tibet, um bouquet exótico, persistente e forte, adocicado pelas notas florais do jasmim e da rosa.



Originalmente, Habanita fora concebido para perfumar os cigarros das mulheres "arrapazadas" com um aroma penetrante e delicioso.











Foto improvisada das minhas "concretas", conseguidas num leilao depois de muito buscar.(Arquivo pessoal)

18)Tocade (Rochas)

UM IRRESISTÍVEL AMOR À PRIMEIRA VISTA

O ano de 1994 viu florir um grande número de perfumes, aos quais, aparentemente, estava prometido um futuro brilhante, sendo a colheita das fragrâncias particularmente diversificada. Para citar apenas os mais célebres, a amostragem vai de Eden de Cacharel, oriental, floral, e aquático, a Deci Delà de Nina Ricci, um arabesci chypré, frutal e floral, sem esquecermos o deliciosos Petit Guerlain, fresco e perfumado como o orvalho matinal. Prova de que as grandes marcas sabem renovar-se nas diversidade. Com Tocade, lançado pela Rochas nesse ano, entramos na era dos perfumes "lúdicos". Em primeiro lugar, evidentemente, o cheiro era perfeitamente conseguido: uma pequena maravilha floral e ambarina, em que a rosa desabrocha sem quaisquer pressas, escoltada pela magnólia, plea bergamota e pelo gerânio, com um toque de baunilha numa esteria cálida de benjoim, de cedro, de âmbar e de almíscar.
Porém, além disso, o designer Serge Mansau inspirou-se nos mestres vidreiros de Veneza para inventar frascos que pudessem ser completados por diferentes tampas, ao sabor do estado de espírito e das cores: gargalo vermelho e tampa amarela, gargalo azul e tampa vermelha, gargalo vermelho e tampa verde. Originalidade de conceito, a que acrescenta outra idéia moderna: os frascos sao recargáveis (consequentemente menos dispendiosos) e, sob a forma de vaporizadores, passam facilmente do banheiro para a mala de mao e vice-versa. Tocade ou uma idéia forte e original, "o apetite pela vida", dirige-se à mulheres espontâneas e maliciosas, que vivem as suas paixoes, os seus amores à primeira vista, loucura..
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(Exposiçao na Bélgica de propostas de packaging, neste caso, de Tocade.)

Um frasco puro e elegante, de formas arredondadas e generosas, coroado por um diadema atrevido de cores vivas e transparentes.



Rosa, baunilha e âmbar, é este o acorde inédito de Tocade.



quinta-feira, 23 de abril de 2009

17) Boucheron

A MAGIA DE UM ANEL

Foi em 1988 que Alain Boucheron, filho, neto e bisneto de joalheiros, decidiu lançar um perfume que batizou com o nome da famosa casa da Place Vendôme. Desde que foi lançado, impôs-se logo como um êxito de vendas. Boucheron é um perfume luminoso e voluptuoso, floral e semi-oriental. A nota de cabeça possui o brilho dos frutos do sol: tangerina, bergamota, flor de laranjeira, com um toque de manjericao. No coraçao da fragrância, um bouquet de flores arrebatadoras: ilangue-ilangue, jasmim, tuberosa...
A esteira é ambarina e com aroma de madeiras: sândalo, patchuli, baunilha. O primeiro perfume-jóia de Boucheron nao podia ser senao um anel, a jóia por excelência, símbolo do amor desde a noite dos tempos. As mulheres descobrem-no com supresa e maravilhamento. O frasco foi desenhado nas oficinas de joalheria na Place Vendôme em Paris. A sua surpreendente concepçao segue de muito perto a dos anéis contemporâneos da casa: um aro que evoca o cristal de rocha, com ornatos que formam linhas paralelas trabalhadas em relev
o no material, e uma tampa-cabuchao azul da Birmânia, o azul intenso das mais belas safiras do mundo. Coloca-se sobre o toucador como um anel e aconchega-se na palma da mao. Está discretamente assinado no interior, tal como uma jóia.
Desde entao, em todas as criaçoes de perfumes de Boucheron, reencontramos a personalidade da marca e respectivos sinais de reconheciemento: o ouro, o cristal de rocha, o mesmo tipo de ornatos, o cabuchao de safira, o azul, cor fetiche da casa. Assim, todos os perfumes Boucheron, para senhora ou para homem, sao identificados logo no primeiro olhar.

terça-feira, 21 de abril de 2009

16) Fracas (Robert Piguet)


O RENASCER DE UMA LENDA

Raros sao os perfumes que ousam explorar a fragrância obsessiva da
tuberosa, da qual Émilie Zola dizia que tinha "um aroma quase humano". Terminada a guerra, o costureiro Robert Piguet pediu a Germaine Cellier, um dos raros narizes femininos da profissao (à qual se deve igualmente o célebre Vent Vert de Balmain), que lhe criasse uma essência exclusivamente de tuberosa, uma flor siave e penetrante, levemente alaranjada, que até entao apenas entrava nas composiçoes em quantidades ínfimas, de tal modo o seu odor é violento e penetrante.
"Em Paris durmo sob a sua guarda. De uma única haste florida nasce e se espraia uma nuvem de sonhos, um repouso sem perigos", escrevia Colette, para celebrar o nascimento de Fracas, esse imenso perfume "branco" surgido em 1948. Poucas pessoas se lembram de Robert Piguet e da sua moda, mas, no entanto, foi ele quem lançou o "vestido preto" que todas as mulheres têm no guarda-roupa. Subsiste dele a imagem de um costureiro "bastante protestante de aspecto, mas de humor mordaz", segundo Hélène Rochas, que basea toda sua coleçao outono-inverno de 1944 no tema do bandido. As suas modelos desfilaram com máscaras no rosto, armadas de punhais e de revólveres, aureoladas com os eflúvios sensuais do seu primeiro perfume, Bandit! Esta mistura estonteante de jasmim e de cravo fez imediatamente furor. Quantro anos mais tarde, novo alvoroço com Fracas, um perfume que se tornou mítico por várias razoes. Nao que tivesse sido um grande êxito comercial, mas a lenda que deu origem foi tao forte, que inspiraria criaçoes como Chloé de Karl Lagerfeld ou Poison de Christian Dior, Fragile de Jean-Paul Gaultier e, principalmente, Tubéreuse Criminelle, concebido por Serge Lutens por Shiseido.

Conta a lenda que Robert Piguet, que dedicou o perfume a Edwige Feuillère, apenas cheirava os perfumes no sexo dos manequins, pois achava que era nessa parte do corpo que as mulheres melhor exalavam feminilidade a sensualidade... Quanto ao rasto magnético da tuberosa tal como se exprime em Fracas, desapareceu do solo francês em 1953, com a morte de Robert Piguet, ao mesmo tempo que a casa so costureiro. Fracas e Bandit passaram entao para as maos de distribuidores canadenses e norte-americanos, que tentaram um regresso desastroso a Paris, em 1989, voltando depois para a costa leste dos Estados Unidos, onde recobraram um segundo fôlego, Fracas foi anunciado na imprensa como the greatest French Parfum ("o maior perfume francês"). Entao, as americanas ressuscitaram o mito. A partir de entao, encontram-se em várias lojas nova-iorquinas. Escreveu Catherine Jazdzewski, na Vogue, onde estudou de perto o "caso Fracas": "Assim que franqueamos a porta de Neiman Marcus ou de Saks sentimo-nos mal, com a cabeça à roda, o coraçao que bate, as pernas que fraquejam. Ficamos drogadas pelo odor capitoso de uma tuberosa."
Outrora abundante na Côte d'Azur, a tuberosa foi desaparecendo em virtude da especulaçao imobiliária e apenas se encontra na Índia. É por intermédio da antiga e dispendiosa técnica de enfleurage que se extrai das pétalas esse odor único de néctar venenodo, absolutamente envolvente.


quarta-feira, 15 de abril de 2009

15) Rochas Man (Rochas)

UMA HISTÓRIA DE HOMEM


Em 1949, teve início uma história de homem para casa Rochas. Marcel Rochas imaginou um perfume masculino insólito, forte, e "picante", chamado Moustache. Durante duas décadas, figuraria à cabeça da perfumeria masculina mundial. Outros teniam adormecido sobre este passado glorioso, mas Rochas estava decidido a retomar o único caminho que o conduzia além do inimaginável...
Sucedendo a Monsieur, a Macassar, a Globe e a Eau de Rochas, Rochas Man fez a sua entradano dealbar do novo milênio...
A partir de entao, foi um homem livre que viu a luz do dia. O homem Rochas escolheu definir os seus próprios valores e é com uma gravidade divertida que contempla os sobressaltos do mundo, contando apenas consigo próprio para avançar e evoluir. A vida ensinou-lhe que os opostos acabm sempre por se atrair e que a virilidade, levada ao seu paroxismo, poderá alcançar uma feminilidade das mais sutis. Intemporal e vanguardista, Rochas Man escolheu dizer sim ao que encerra em si e enlaçar todas as facetas que fazem da vida de um homem uma eterna evoluçao.
Primeira olhadela, primeira surpresa: o frasco de Rochas Man desfere um golpe no espaço como uma adaga moderna, simultaneamente fora do tempo e rigorosamente atual! uma obra de arte contemporânea que tivesse atravessado três milênios... Matéria tácteis- vidro baço e aço escovado- encontram-se num diálogo harmonioso e fulgurante. Com esse seu ambarino fresco, Rochas Man celebra as núpcias do fogo e do gelo. Um perfume fulminante pela audácia da sua construçao, que congrega, de forma magistral, duas fragrâncias constratantes, a alfazema e um moca profundo de aroma forte e odorífero, um acorde inédito.
Inesperado, independente, insubmisso, senhor da sua energia e das próprias escolhas, Rochas Man anuncia o despontar de uma nova era em que o homem é mais do que nunca o herói da sua própria história.

14) Gardénia (Chanel)


O GRANDE PRINCÍPIO DA INOVAÇAO

As grandes flores odoríficas da gardênia, muitas vezes brancas ( e que devem o nome a um botânico escocês de patronímico predestinado, pois que se chamava Garden), nao costumam ser utilizadas tao frequentemente na perfumeria como a rosa, o jasmim, o lñirio-do-vale ou a tuberosa. Mesmo assim, em 1925 e do indispensável Cuir de Russie de 1924, Mademoiselle impôs um magistral unifloral, tanto mais surpreendente quanto, na época, estavam mais na moda os perfumes ambarinos, com aroma a especiarias, quentes e por assim dizer exóticos e coloridos. Depois de ter iniciado a era enfeitiçadora dos perfumes de alta-costura, impôs, com Gardénia, um perfume floral, terno e sedutor, em que se encontram, em torno da predominante gardénia, toques de coco, de violeta e de baunilha, toques estes conferidos pelas fragrâncias de síntese, que transmitiram alma e modernidade a todos os perfumes criados desde o início do século XX. Coco Chanel atravessou este século com classe, com golpes de tesoura e de idéias inovadoras. A sua definiçao de elegância é muito simples: "a liberdade de nos movermos". "Era jovem e tinha a audácia de o parecer", lê-se precisamente em Les Mémoires de Coco,de Louis de Vilmorin. Todavia, a elegância é também pontuar justamente um porte com os pormenores que fazem a diferença: jóias falsas e perfumes verdadeiros. Tal como Gardénia, que, mesmo menos conhecido do que os célebres Chanel Nº5 e Nº19 (o último perfume lançado no tempo de Gabrielle Chanel), ocupa, nesta mesma veia floral, um lugar de escolha na fabulosa herança dos perfumes Chanel.

domingo, 12 de abril de 2009

13) Acqua di Giò (Giorgio Armani)




Número um do prêt-à-porter de luxo em Itália, um país onde o ritmo de lançamento de perfumes é o mais elevado da Europa, o costureiro Giorgio Armani domina de longe esta paisagem que, por vezes, parece um pouco saturada. Depois de ter inicialmente trabalhado com Nino Cerruti, "Gorgeous George", como a revista americana chamou, revolucionou a moda masculina antes de se dedicar à criaçao feminina, tornando-se um símbolo de elegante descontraçao e de segurança de gosto. Os perfumes que lançou, para homem e senhora, inscreveram-se imediatamente no pelotao de vanguarda das fragrâncias famosas.
Giorgio Armani declara gostar da "moda que nao se vê" e de "um estilo de perfumes fluidos e sóbrios, elegantes e modernos". Tendo escrito com a própria mao as três letras do ser diminutivo- Giò -, o costureiro criou primeiramente, em 1992, um floral frutado, para o qual desenhou igualmente o frasco, simplicíssimo. Com Acqua di Giò, a inspiraçao ajusta-se ainda mais ao sono de evasao do qual impoe os contornos: refere ter descoberto a alma do perfume em Pantelleria, uma ilha siciliana entre o céu e a água. "O Sol aquece-a, o mar esculpe-a, é doce e amarga, recamada de açucar e de sal." A abrir, ervilhas-de-cheiro aciduladas respiram as neblinas marinhas. No coraçao, o jasmim rivaliza em frescura coma frésia e o jacinto branco. No final, um acorde de madeira almiscarada exala a sensualidade do perfume. Por fim, para concretizar essa idéia de frescura, símbolo de uma epoca que adora a pureza e a vastidao do mar, Armani encerra o perfume num frasco entre o jade e o verde-claro e confere ao estojo uma cor marinha.





Giorgio Armani gosta dos perfumes fluidos, modernos e sóbrios, despidos de artifícos, que exprimam as emoçoes em tamanho real.